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Do amor romântico ao poliamor
20.12.20
Luiza Martins

Do amor romântico ao poliamor

Amor e sexo nem sempre andaram juntos. Uma breve análise histórica nos mostra que alguns fatores convergiram na tríade clássica: amor-casamento-sexo que vigora até então. Em sociedades arcaicas a associação entre homens e mulheres se dava pela divisão sexual do trabalho e o sexo tinha finalidade procriativa. Muito se passou até que o sexo ganhasse finalidades recreativas que ainda hoje são questionadas por setores da sociedade.

Dos casamentos por conveniência da Idade Média aos casamentos por amor da Idade Moderna, a sexualidade atravessou uma enorme revolução. A religiosidade e a cultura tiveram grande contribuição com a formação do conceito de amor romântico. A igreja Católica deu ao casamento o título de sacramento com o intuito de unir duas pessoas que se amam em um relacionamento monogâmico no qual a sexualidade aparece somente com teor reprodutivo. Assim, amor e sexo andam juntos, mas o sexo tem papel secundário no relacionamento. A Revolução Francesa, com todos os seus desdobramentos na nova ideologia burguesa centrada no indivíduo, reformulou esse conceito de amor romântico dando mais espaço para o sexo no casamento tendo em vista que a busca por prazer passa a ter importância nas relações conjugais. Entretanto, a sexualidade feminina foi, por muito tempo, desvalorizada devido ao peso do patriarcado ainda hoje arraigado nas estruturas sociais. Em busca do sonhado amor romântico descrito nos livros, contos e filmes, muitas mulheres se submeteram e infelizmente ainda se submetem (sem perceber) a relacionamentos abusivos, são vítimas de violência doméstica e sexual e convivem com problemas conjugais que desestruturam sua vida em diversos aspectos.

O século XX foi marcado por muitas revoluções, mas um movimento foi fundamental para que o amor romântico fosse colocado em segundo plano: o movimento feminista. O ingresso da mulher no mercado de trabalho com a Revolução Industrial trouxe consigo importantes questionamentos sobre os papéis de gênero. A tripla jornada que envolve as tarefas domésticas, os cuidados com os filhos e a dedicação aos estudos e profissão inevitavelmente levantou a bandeira da equidade, não somente no ambiente profissional, mas principalmente da necessidade de divisão de tarefas. A partir de então começa a se observar a valorização do casamento como um contrato social em que cada parte seja igualmente responsável para garantia da harmonia conjugal. Caso contrário qual seria o benefício de permanecer casada? Nessa busca pela equidade as mulheres conquistaram a oportunidade de reavaliarem a importância do casamento entre as suas prioridades, e com a lei do Divórcio instituída no Brasil em 1977 foi possível vivenciar a sexualidade fora do contexto matrimonial.

O conceito de família mudou. O matrimônio não é mais necessário para que a mulher vivencie sua sexualidade nem mesmo a experiência da maternidade. Portanto, para que duas PESSOAS permaneçam juntas, o amor basta. E o sexo? Basta vontade. A você, que está lendo, basta sentir-se à vontade com tudo isso.

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